segunda-feira, Dezembro 02, 2013

Papa Francisco: 4 comportamentos bons para o Natal

 
"Perseverar na oração, ser mais concretos na caridade fraterna, aproximar-se mais de quem precisa e ter alegria ao louvar o Senhor", comportamentos que o Papa Francisco considerou importantes no caminho de preparação para o Natal.
 
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=97999

segunda-feira, Julho 29, 2013

Entrevista exclusiva do Papa à TV Globo

"Quem sou eu para criticar um gay?"


As respostas do papa sobre o Vatileaks, a corrupção na Igreja, o aborto, o casamento homossexual, as saudades de Buenos Aires e a relação com Bento XVI
Elisabetta Piqué  | LA NACION 29.07.2013

A BORDO DO VOO PAPAL.- Após agradecer o trabalho dos jornalistas e reconhecer que não estava a acreditar quando, do altar, viu os 3 milhões de jovens de 178 países que participaram na missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), veio o momento das perguntas. Para isso, os jornalistas tínhamo-nos organizado por grupos linguísticos e por países. Os dois argentinos presentes no voo tivemos a vantagem de que o Papa fosse nosso compatriota: os dois pudemos fazer perguntas.
Transcrever a hora e vinte minutos de perguntas e respostas árduo trabalho que nos obrigou a muitos a não dormir significaria um livro. Aqui, algumas das mais transcendentes.
A minha foi em nome dos 50.000 argentinos que encontrei no Rio de Janeiro e que me disseram 'vais viajar com o Papa, pergunta-lhe quando vai à Argentina'. E como já disse que por agora não vai viajar, então vou-lhe fazer uma pergunta mais difícil:

Assustou-se quando viu o relatório Vatileaks?
Não. Vou-lhes contar uma história sobre o relatório Vatileaks. Quando fui ver o Papa Bento, depois de rezar na capela reunimo-nos numa sala e havia uma caixa grande e um envelope em cima. Bento XVI disse-me: 'nesta caixa grande estão todas as declarações prestadas pelas testemunhas. E o resumo e as conclusões finais estão neste envelope. E que diz isto e isto e isto...' Tinha tudo na cabeça! Mas não, não me assustei. É um problema grande, mas não me assustei.

Uma pergunta um pouco delicada. A história de Monsenhor Ricca deu a volta ao mundo. Como vai enfrentar este assunto e tudo o que se relaciona com o alegado lobby gay no Vaticano?
Em relação ao Monsenhor Ricca, fiz o que o direito canónico manda fazer, que é uma investigação prévia. E esta investigação não diz nada do que se publicou. Não encontrámos nada. Mas eu acrescentar uma coisa: muitas vezes na Igreja vai-se buscar os pecados de juventude e publica-se. E falo de pecados, não de delitos como os abusos de menores. Mas se uma pessoa leigo, padre ou religiosa comete um pecado e depois se arrepende, o Senhor perdoa-a. E quando o Senhor perdoa, esquece. O importante é fazer uma teologia do pecado. Muitas vezes penso em S. Pedro: fez pecados dos piores, renegar Cristo. E com esse pecado fizeram-no Papa!

E o lobby gay?
Escreve-se muito do lobby gay. Ainda não me cruzei com ninguém que me tenha mostrado o bilhete de identidade no Vaticano como gay. Dizem que existe. Quando nos encontramos com alguém assim, devemos distinguir entre o facto de ser gay do facto de fazer lobby, porque nenhum lobby é bom. Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para criticá-lo? O catecismo da Igreja católica explica-o de forma muito bonita. Diz que não se devem marginalizar estas pessoas por causa disto. É preciso integrá-las na sociedade. O problema não é ter esta tendência. Devemos ser irmãos. O problema é fazer um lobby

Deu a volta ao mundo a foto em que o papa sobe a escada do avião levando uma pasta na mão. O que é que tem lá dentro?
Não estava a chave da bomba atómica (risos). Levei a pasta porque é assim que costumo fazer quando viajo. Dentro está a máquina de barbear, o breviário, a agenda, um livro para ler, que é um sobre Santa Teresinha, de quem sou devoto. Levo sempre a pasta quando viajo, é normal. Devemos habituar-nos a ser normais. A normalidade da vida.

A sociedade brasileira mudou, os jovens mudaram. O papa não falou sobre o aborto nem sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil foi aprovada uma lei que amplia o direito ao aborto e outra que prevê os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Porque é que não falou sobre esses temas?
A Igreja expressou-se já perfeitamente sobre esses temas, não era necessário voltar a isso, como também não falei a fraude, a mentira ou outras coisas sobre as quais a Igreja tem uma doutrina clara. Não era necessário falar sobre isso, mas das coisas positivas que abrem caminho aos jovens. Além disso os jovens sabem perfeitamente qual é a posição da Igreja.

Mas qual é a sua posição nesses temas?
A da Igreja, sou filho da Igreja.

Como se sente como Papa. É feliz?
Fazer o trabalho de bispo é uma coisa bonita. O problema é quando procuramos esse trabalho, isso não é tão bonito, isso não é do Senhor. Existe sempre o perigo de nos julgarmos um pouco superiores aos outros, não como os outros, um pouco príncipes. São perigos e pecados. Mas o trabalho de bispo é lindo, é ajudar os irmãos a avançar. O bispo diante dos fiéis para assinalar o caminho, o bispo no meio dos fiéis para ajudar a criar comunhão, o bispo atrás dos fiéis porque os fiéis com frequência têm o "olfacto da rua". Perguntou-me se gosto. Sim, gosto de ser bispo. Em Buenos Aires fui muito feliz. O Senhor assistiu-me nisso. Como bispo fui feliz, como sacerdote fui feliz. Neste sentido, gosto.

E gosta de ser Papa?
Sim, também. Quando o Senhor te coloca aí, se tu fizeres o que o Senhor te pede, és feliz. Isso é que sinto.

Está cansado?
Não estou casado, eu sou single (risos).

Quando se reuniu com argentinos, um pouco na brincadeira e um pouco a sério, disso que às vezes se sente engaiolado.
Nem imagina quantas vezes tive vontade de ir passear pelas ruas de Roma... Porque eu gosto de andar pelas ruas, já gostava muito, e nesse sentido sinto-me um pouco engaiolado. Mas devo dizer que os da Gendarmeria vaticana são bons, são realmente bons e estou-lhes muito grato. Agora deixam-me fazer umas quantas coisas mais, mas o seu dever é garantir a segurança. Engaiolado nesse sentido, de que eu teria gosto de andar pela rua, mas compreendo que não é possível, percebo. disse-o nesse sentido. Porque, como dizemos em Buenos Aires, eu era um sacerdote rueiro [que gosta de andar na rua callejero no original].  

Porque insiste tanto em que rezem por si?
Eu sempre pedi isso. Comecei a fazer esse pedido com certa frequência no trabalho de bispo. Sinto que se o Senhor não ajuda neste trabalho, para o que o povo de Deus dê passos em frente, nós não podemos. Eu sinto-me realmente com muitos limites, com muitos problemas, também pecador. Devo pedir orações, sai-me de dentro. Também a Nossa Senhora peço que reze por mim ao Senhor. É um costume que me vem de fora, também da necessidade que tenho pelo meu trabalho. Sinto que o devo pedir. É isso.

Que pensa da ordenação de mulheres?
Quanto à ordenação de mulheres a Igreja falou e disse não. Disse-o João Paulo II, mas com uma formulação definitiva. Essa porta está fechada. Mas sobretudo quero dizer-lhes uma coisa: a Virgem Maria era mais importante que os apóstolos e que os bispos e que os diáconos e que os sacerdotes. A mulher na Igreja é mais importante que os bispos e os padres. Como? Isto é o que devemos tratar de explicitar melhor através de um aprofundamento da Teologia da mulher.

Sendo Papa, ainda se sente jesuíta?
É uma pergunta teológica porque os jesuítas fazem votos de obediência ao Papa. Mas se o Papa é jesuíta, talvez tenha de fazer voto de obediência ao Padre Geral dos Jesuítas, não sei como isto se resolve. Eu sinto-me jesuíta na minha espiritualidade. Não mudei de espiritualidade, continuo a pensar como jesuíta, não hipocritamente, mas penso como jesuíta.

A quatro meses do seu pontificado, pode fazer um breve resumo? Que foi o melhor, e o pior e o que o supreendeu mais neste período?
Realmente, não sei como responder a esta pergunta. Coisas más não houve. Coisas boas, sim. Por exemplo, o encontro com os bispos italianos. Foi muito bonito. Uma coisa dolorosa, que me tocou o coração, foi a visita à ilha de Lampedusa. Quando chegam estas barcas, deixam-nos ao largo a umas milhas de distância da costa e eles têm de chegar cada um por si. Foi doloroso porque penso que estas pessoas são vítimas do sistema socioeconómico mundial. Mas a coisa pior [em tom de humor] foi uma ciática, verdadeira, que tive no primeiro mês. Foi dolorosíssimo. Não a desejo a ninguém.

O papa gostava muito da Argentina e tinha Buenos Aires muito no coração. Os argentinos perguntam se não sente falta de andar de autocarro, de andar pela rua.
Sim, Buenos Aires faz-me falta. Mas é uma falta serena.


* * *


Estávamos a 20 minutos de aterrar, com as mãos mergulhadas no computador e voltou a aparecer ele, Francisco. Voltou a saudar e a agradecer a todos com um sorriso. Disse-lhe: "Padre Jorge, 'passou-se', fez-nos trabalhar demais". "Vocês é que procuraram, é que quiseram", respondeu...

terça-feira, Julho 02, 2013

5 coisas que uma filha precisa de ouvir do pai

1) És bonita, e gosto muito de ti

Devia dizer isso à sua filha pelo menos uma vez por dia, e se calhar mais que isso. Dizer só de vez em quando, não chega.

Não sou psicólogo, mas as filhas que sabem que o pai gosta delas, crescem com maior confiança e tendem a evitar procurar estima nos lugares errados.

Ouvir dizer que é linda é oxigénio para a alma da sua filha. Faça-o muitas vezes de maneiras variadas e criativas.

 
2) A tua mãe é bonita e gosto muito dela

O melhor presente que pode dar à sua filha é mostrar-lhe como um homem trata uma mulher.

Deixe-a ver em sim, mesmo que de forma limitada, o amor gratuito vindo de Deus entre um homem e uma mulher.

Diga à sua mulher diariamente que ela é linda, que a ama, e que está contente por ter casado com ela.

Diga-lhe que está comprometido com ela para toda a vida. E diga estas coisas, de vez em quando, diante dos filhos.


3) És de Deus e foste criada para a sua glória

As meninas frequentemente lutam contra a insegurança numa série de questões: o peso, a aparência, os amigos.

Talvez, por vezes, se sintam subestimadas ou sem importância, mesmo numa casa onde há amor. É por isso que você, como pai, tem de lembrar-lhes muitas vezes que são uma criação especial, que foram amorosamente formadas pelo Criador à Sua imagem.

Lembre-lhes as palavras de David: «Eu Vos louvo porque me fizestes como um prodígio», do salmo 139. Deve ser uma passagem muito usada na sua Bíblia e interiorizada nas suas filhas para os momentos de dúvida.

4) Estás perdoada

As suas meninas hão-de errar. Hão-de pecar. Vão decepcionar.

Se a boa notícia que o evangelho traz não estiver no coração da família, podem crescer sem saber como fazer, nem o que fazer, com os pecados pessoais.

Tente evangelizar a sua filha e tente que ela o siga. Treine nela a prática cristã vital do arrependimento e do perdão.

Arrependimento para o pecado próprio e perdão para o pecado dos outros. Faça-lhe saber que Jesus está sempre pronto para dar novos reforços de graças. Faça-lhe saber que essas graças são não só para ela, mas também para aqueles que a ferirem.


5) Vales muito

Não deixe que sua filha beba o veneno cultural que mede o valor de uma mulher pela sua auto-suficiência ou pela sua destreza em desfazer-se da sua pureza.

Nem por um momento a deixe ser dominanada pela mentira de que o desregramento sexual é mais do que uma escravidão da pior espécie, é mais que a forma como o inimigo rouba a criatividade, a beleza e a finalidade para que foi criada.

Ensine-a o que deve procurar num homem (dica: não os "bonecos" que vê na TV). Torne-a ciente da bela imagem de feminilidade pintada pelo Criador.

A sua auto-estima, a sua consciência de si mesma, o seu valor, estão ligadas à sua vocação, surpreendente, de filha de Deus.

sábado, Maio 25, 2013

Ratzinger: o ateísmo sobrevive porque o cristianismo libertou do medo dos demónios

Apesar do que dizem certos teólogos superficiais, o Demónio é, para a fé cristã, uma presença misteriosa, mas real, pessoal, não-simbólica.
 
É uma realidade poderosa, 'o Príncipe deste mundo', como lhe chama o Novo Testamento,
que por mais de uma vez recorda a sua existência; é uma liberdade maléfica e sobre-humana, oposta à de Deus, como mostra uma leitura realista da história, com o seu abismo de atrocidades sempre renovadas e não explicáveis apenas pelo homem.
 
O homem, sozinho, não tem força para se opor a Satanás, que não é um outro deus. Unidos a Jesus, temos a certeza de vencê-lo.
 
Cristo é o  'Deus próximo' que tem força e vontade de nos libertar: por isso o Evangelho é realmente 'boa nova'. E por isso devemos continuar a anunciá-lo àqueles regimes de terror
que são, muitas vezes, as religiões não-cristãs.

Direi mais:
a cultura ateia do Ocidente moderno sobrevive graças à libertação do medo dos demónios trazida pelo cristianismo.
 
Mas, se esta luz redentora do Cristo se extinguisse, embora com toda a sua sabedoria e com toda a sua tecnologia, o mundo recairia no terror e no desespero.

Já existem sinais desse retorno às forças obscuras, enquanto crescem no mundo secularizado os cultos satânicos.
 
 
Cardeal Joseph Ratzinger
1985
"Diálogos sobre a fé", Verbo
 
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quarta-feira, Maio 22, 2013

Papa Francisco visto por Hans Kung

¿Quién lo iba a pensar? Cuando tomé la pronta decisión de renunciar a mis cargos honoríficos en mi 85º cumpleaños, supuse que el sueño que llevaba albergando durante décadas de volver a presenciar un cambio profundo en nuestra Iglesia como con Juan XXIII nunca llegaría a cumplirse en lo que me quedaba de vida.

Y, mira por dónde, he visto cómo mi antiguo compañero teológico Joseph Ratzinger —ambos tenemos ahora 85 años— dimitía de pronto de su cargo papal, y precisamente el 19 de marzo de 2013, el día de su santo y mi cumpleaños, pasó a ocupar su puesto un nuevo Papa con el sorprendente nombre de Francisco.
¿Habrá reflexionado Jorge Mario Bergoglio acerca de por qué ningún papa se había atrevido hasta ahora a elegir el nombre de Francisco? En cualquier caso, el argentino era consciente de que con el nombre de Francisco se estaba vinculando con Francisco de Asís, el universalmente conocido disidente del siglo XIII, el otrora vivaracho y mundano vástago de un rico comerciante textil de Asís que, a la edad de 24 años, renunció a su familia, a la riqueza y a su carrera e incluso devolvió a su padre sus lujosos ropajes.

Resulta sorprendente que el papa Francisco haya optado por un nuevo estilo desde el momento en el que asumió el cargo: a diferencia de su predecesor, no quiso ni la mitra con oro y piedras preciosas, ni la muceta púrpura orlada con armiño, ni los zapatos y el sombrero rojos a medida ni el pomposo trono con la tiara. Igual de sorprendente resulta que el nuevo Papa rehúya conscientemente los gestos patéticos y la retórica pretenciosa y que hable en la lengua del pueblo, tal y como pueden practicar su profesión los predicadores laicos, prohibidos por los papas tanto por aquel entonces como actualmente. Y, por último, resulta sorprendente que el nuevo Papa haga hincapié en su humanidad: solicita el ruego del pueblo antes de que él mismo lo bendiga; paga la cuenta de su hotel como cualquier persona; confraterniza con los cardenales en el autobús, en la residencia común, en su despedida oficial; y lava los pies a jóvenes reclusos (también a mujeres, e incluso a una musulmana). Es un Papa que demuestra que, como ser humano, tiene los pies en la tierra.
El pontífice no quiso ni la mitra con oro, ni los zapatos, ni el pomposo trono con la tiara Todo eso habría alegrado a Francisco de Asís y es lo contrario de lo que representaba en su época el papa Inocencio III (1198-1216). En 1209, Francisco fue a visitar al papa a Roma junto con 11 hermanos menores (fratres minores) para presentarle sus escuetas normas compuestas únicamente de citas de la Biblia y recibir la aprobación papal de su modo de vida “de acuerdo con el sagrado Evangelio”, basado en la pobreza real y en la predicación laica.

Inocencio III, conde de Segni, nombrado papa a la edad de 37 años, era un soberano nato: teólogo educado en París, sagaz jurista, diestro orador, inteligente administrador y refinado diplomático. Nunca antes ni después tuvo un papa tanto poder como él. La revolución desde arriba (Reforma gregoriana) iniciada por Gregorio VII en el siglo XI alcanzó su objetivo con él. En lugar del título de “vicario de Pedro”, él prefería para cada obispo o sacerdote el título utilizado hasta el siglo XII de “vicario de Cristo” (Inocencio IV lo convirtió incluso en “vicario de Dios”). A diferencia del siglo I y sin lograr nunca el reconocimiento de la Iglesia apostólica oriental, el papa se comportó desde ese momento como un monarca, legislador y juez absoluto de la cristiandad… hasta ahora.

Pero el triunfal pontificado de Inocencio III no solo terminó siendo una culminación, sino también un punto de inflexión. Ya en su época se manifestaron los primeros síntomas de decadencia que, en parte, han llegado hasta nuestros días como las señas de identidad del sistema de la curia romana: el nepotismo, la avidez extrema, la corrupción y los negocios financieros dudosos. Pero ya en los años setenta y ochenta del siglo XII surgieron poderosos movimientos inconformistas de penitencia y pobreza (los cátaros o los valdenses). Pero los papas y obispos cargaron libremente contra estas amenazadoras corrientes prohibiendo la predicación laica y condenando a los “herejes” mediante la Inquisición e incluso con cruzadas contra ellos.
Pero fue precisamente Inocencio III el que, a pesar de toda su política centrada en exterminar a los obstinados “herejes” (los cátaros), trató de integrar en la Iglesia a los movimientos evangélico-apostólicos de pobreza. Incluso Inocencio era consciente de la urgente necesidad de reformar la Iglesia, para la cual terminó convocando el fastuoso IV Concilio de Letrán. De esta forma, tras muchas exhortaciones, acabó concediéndole a Francisco de Asís la autorización de realizar sermones penitenciales. Por encima del ideal de la absoluta pobreza que se solía exigir, podía por fin explorar la voluntad de Dios en la oración. A causa de una aparición en la que un religioso bajito y modesto evitaba el derrumbamiento de la Basílica Papal de San Juan de Letrán —o eso es lo que cuentan—, el Papa decidió finalmente aprobar la norma de Francisco de Asís. La promulgó ante los cardenales en el consistorio, pero no permitió que se pusiera por escrito.

Francisco de Asís representaba y representa de facto la alternativa al sistema romano. ¿Qué habría pasado si Inocencio y los suyos hubieran vuelto a ser fieles al Evangelio? Entendidas desde un punto de vista espiritual, si bien no literal, sus exigencias evangélicas implicaban e implican un cuestionamiento enorme del sistema romano, esa estructura de poder centralizada, juridificada, politizada y clericalizada que se había apoderado de Cristo en Roma desde el siglo XI.

Con Inocencio III se manifestaron los primeros síntomas de nepotismo y corrupción del Vaticano. Puede que Inocencio III haya sido el único papa que, a causa de las extraordinarias cualidades y poderes que tenía la Iglesia, podría haber determinado otro camino totalmente distinto; eso habría podido ahorrarle el cisma y el exilio al papado de los siglos XIV y XV y la Reforma protestante a la Iglesia del siglo XVI. No cabe duda de que, ya en el siglo XII, eso habría tenido como consecuencia un cambio de paradigma dentro de la Iglesia católica que no habría escindido la Iglesia, sino que más bien la habría renovado y, al mismo tiempo, habría reconciliado a las Iglesias occidental y oriental.

De esta manera, las preocupaciones centrales de Francisco de Asís, propias del cristianismo primitivo, han seguido siendo hasta hoy cuestiones planteadas a la Iglesia católica y, ahora, a un papa que, en el aspecto programático, se denomina Francisco: paupertas (pobreza),humilitas (humildad) y simplicitas (sencillez).

Puede que eso explique por qué hasta ahora ningún papa se había atrevido a adoptar el nombre de Francisco: porque las pretensiones parecen demasiado elevadas.
Pero eso nos lleva a la segunda pregunta: ¿qué significa hoy día para un papa que haya aceptado valientemente el nombre de Francisco? Es evidente que tampoco se debe idealizar la figura de Francisco de Asís, que también tenía sus prejuicios, sus exaltaciones y sus flaquezas. No es ninguna norma absoluta. Pero sus preocupaciones, propias del cristianismo primitivo, se deben tomar en serio, aunque no se puedan poner en práctica literalmente, sino que deberían ser adaptadas por el Papa y la Iglesia a la época actual.

Las enseñanzas de Francisco de Asís de altruismo y fraternidad deberían ser actualizadas:

1. ¿Paupertas, pobreza? En el espíritu de Inocencio III, la Iglesia es una Iglesia de la riqueza, del advenedizo y de la pompa, de la avidez extrema y de los escándalos financieros. En cambio, en el espíritu de Francisco, la Iglesia es una Iglesia de la política financiera transparente y de la vida sencilla, una Iglesia que se preocupa principalmente por los pobres, los débiles y los desfavorecidos, que no acumula riquezas ni capital, sino que lucha activamente contra la pobreza y ofrece condiciones laborales ejemplares para sus trabajadores.

2. ¿Humilitas, humildad? En el espíritu de Inocencio, la Iglesia es una Iglesia del dominio, de la burocracia y de la discriminación, de la represión y de la Inquisición. En cambio, en el espíritu de Francisco, la Iglesia es una Iglesia del altruismo, del diálogo, de la fraternidad, de la hospitalidad incluso para los inconformistas, del servicio nada pretencioso a los superiores y de la comunidad social solidaria que no excluye de la Iglesia nuevas fuerzas e ideas religiosas, sino que les otorga un carácter fructífero.

3. ¿Simplicitas, sencillez? En el espíritu de Inocencio, la Iglesia es una Iglesia de la inmutabilidad dogmática, de la censura moral y del régimen jurídico, una Iglesia del miedo, del derecho canónico que todo lo regula y de la escolástica que todo lo sabe. En cambio, en el espíritu de Francisco, la Iglesia es una Iglesia del mensaje alegre y del regocijo, de una teología basada en el mero Evangelio, que escucha a las personas en lugar de adoctrinarlas desde arriba, que no solo enseña, sino que también está constantemente aprendiendo.
De esta forma, se pueden formular asimismo hoy día, en vista de las preocupaciones y las apreciaciones de Francisco de Asís, las opciones generales de una Iglesia católica cuya fachada brilla a base de magnificentes manifestaciones romanas, pero cuya estructura interna en el día a día de las comunidades en muchos países se revela podrida y quebradiza, por lo que muchas personas se han despedido de ella tanto interna como externamente.

Es poco probable que los soberanos vaticanos permitan que se les quite el poder acumulado. No obstante, ningún ser racional esperará que una única persona lleve a cabo todas las reformas de la noche a la mañana. Aun así, en cinco años sería posible un cambio de paradigma: eso lo demostró en el siglo XI el papa León IX de Lorena (1049-1054), que allanó el terreno para la reforma de Gregorio VII. Y también quedó demostrado en el siglo XX por el italiano Juan XXIII (1958-1963), que convocó el Concilio Vaticano II. Hoy debería volver a estar clara la senda que se ha de tomar: no una involución restaurativa hacia épocas preconciliares como en el caso de los papas polaco y alemán, sino pasos reformistas bien pensados, planificados y correctamente transmitidos en consonancia con el Concilio Vaticano II.

Hay una tercera pregunta que se planteaba por aquel entonces al igual que ahora: ¿no se topará una reforma de la Iglesia con una resistencia considerable? No cabe duda de que, de este modo, se provocarían unas potentes fuerzas de reacción, sobre todo en la fábrica de poder de la curia romana, a las que habría que plantar cara. Es poco probable que los soberanos vaticanos permitan de buen grado que se les arrebate el poder que han ido acumulando desde la Edad Media.

El poder de la presión de la curia es algo que también tuvo que experimentar Francisco de Asís. Él, que pretendía desprenderse de todo a través de la pobreza, fue buscando cada vez más el amparo de la “santa madre Iglesia”. Él no quería vivir enfrentado a la jerarquía, sino de conformidad con Jesús obedeciendo al papa y a la curia: en pobreza real y con predicación laica. De hecho, dejó que los subieran de rango a él y a sus acólitos por medio de la tonsura dentro del estatus de los clérigos. Eso facilitaba la actividad de predicar, pero fomentaba la clericalización de la comunidad joven, que cada vez englobaba a más sacerdotes. Por eso no resulta sorprendente que la comunidad franciscana se fuera integrando cada vez más dentro del sistema romano. Los últimos años de Francisco quedaron ensombrecidos por la tensión entre el ideal original de imitar a Jesucristo y la acomodación de su comunidad al tipo de vida monacal seguido hasta la fecha.

En honor a Francisco, cabe mencionar que falleció el 3 de octubre de 1226 tan pobre como vivió, con tan solo 44 años. Diez años antes, un año después del IV Concilio de Letrán, había fallecido de forma totalmente inesperada el papa Inocencio III a la edad de 56 años. El 16 de junio de 1216 se encontraron en la catedral de Perugia el cadáver de la persona cuyo poder, patrimonio y riqueza en el trono sagrado nadie había sabido incrementar como él, abandonado por todo el mundo y totalmente desnudo, saqueado por sus propios criados. Un fanal para la transformación del dominio en desfallecimiento papal: al principio del siglo XIII, el glorioso mandatario Inocencio III; a finales de siglo, el megalómano Bonifacio VIII (1294-1303), que fue apresado de forma deplorable; seguido de los cerca de 70 años que duró el exilio de Aviñón y el cisma de Occidente con dos y, finalmente, tres papas.

Menos de dos décadas después de la muerte de Francisco, el movimiento franciscano que tan rápidamente se había extendido pareció quedar prácticamente domesticado por la Iglesia católica, de forma que empezó a servir a la política papal como una orden más e incluso se dejó involucrar en la Inquisición.

Al igual que fue posible domesticar finalmente a Francisco de Asís y a sus acólitos dentro del sistema romano, está claro que no se puede excluir que el papa Francisco termine quedando atrapado en el sistema romano que debería reformar. ¿Es el papa Francisco una paradoja? ¿Se podrán reconciliar alguna vez la figura del papa y Francisco, que son claros antónimos? Solo será posible con un papa que apueste por las reformas en el sentido evangélico. No deberíamos renunciar demasiado pronto a nuestra esperanza en un pastor angelicus como él.

Por último, una cuarta pregunta: ¿qué se puede hacer si nos arrebatan desde arriba la esperanza en la reforma? Sea como sea, ya se ha acabado la época en la que el papa y los obispos podían contar con la obediencia incondicional de los fieles. Así, a través de la Reforma gregoriana del siglo XI se introdujo una determinada mística de la obediencia en la Iglesia católica: obedecer a Dios implica obedecer a la Iglesia y eso, a su vez, implica obedecer al papa, y viceversa. Desde esa época, la obediencia de todos los cristianos al papa se impuso como una virtud clave; obligar a seguir órdenes y a obedecer (con los métodos que fueran necesarios) era el estilo romano. Pero la ecuación medieval de “obediencia a Dios = obediencia a la Iglesia = obediencia al papa” encierra ya en sí misma una contradicción con las palabras de los apóstoles ante el Gran Sanedrín de Jerusalén: “Hay que obedecer a Dios más que a las personas”.

Por tanto, no hay que caer en la resignación, sino que, a falta de impulsos reformistas “desde arriba”, desde la jerarquía, se han de acometer con decisión reformas “desde abajo”, desde el pueblo. Si el papa Francisco adopta el enfoque de las reformas, contará con el amplio apoyo del pueblo más allá de la Iglesia católica. Pero si al final optase por continuar como hasta ahora y no solucionar la necesidad de reformas, el grito de “¡indignaos! indignez-vous!” resonará cada vez más incluso dentro de la Iglesia católica y provocará reformas desde abajo que se materializarán incluso sin la aprobación de la jerarquía y, en muchas ocasiones, a pesar de sus intentos de dar al traste con ellas. En el peor de los casos —y esto es algo que escribí antes de que saliera elegido el actual Papa—, la Iglesia católica vivirá una nueva era glacial en lugar de una primavera y correrá el riesgo de quedarse reducida a una secta grande de poca monta.

Hans Kung
Publicado no El Pais de 10/05/2013

quarta-feira, Maio 01, 2013

Mulheres ordenadas diáconos não é assunto tabú

Photo:DPA

Sopram ventos de mudança na Igreja Católica... 
O arcebispo de Friburgo, D. Robert Zollitsch, presidente da Conferência Episcopal alemã, defendeu a possibilidade de ordenação de mulheres como diáconos, podendo assim presidir a alguns sacramentos como batismos ou casamentos, além de outros serviços nas comunidades cristãs.
A ideia foi formulada no passado domingo, no final de uma reunião de quatro dias, destinada a discutir possíveis reformas na Igreja.
A conferência, a primeiro da género, contou com a participação de 300 especialistas católicos que foram convidados a propor reformas. Os comentários de Zollitsch ecoaram apelos que ao longo de mais de um ano foram feitos pelo Comité Central dos Católicos alemães no sentido de que seja permitido que as mulheres sejam ordenadas diáconos. Zollitsch afirmou que este assunto já não era um 'tabu', acrescentando que a Igreja Católica só poderia recuperar credibilidade e força comprometendo-se com reformas.
Outra proposta que saiu da conferência vai no sentido de alargar aos divorciados que voltaram a casar o direito de participarem nos conselhos paroquiais, assim como de poderem comungar. "É importante para mim que, sem pôr em causa a santidade do casamento, os homens e as mulheres sejam levados a sério dentro da igreja, se sintam respeitados e em casa", disse Zollitsch.
Actualmente, as reformas não passam de ideias ou propostas. Mas ainda que a sua eventual implementação venha a ter um longo caminho pela frente, elas são um sinal para muitos de que a mudança está a caminho. "Eu nunca experimentei um processo de desenvolvimento da estratégia tão transparente quanto este", disse Thomas Berg, da Leadership Academy Baden-Württemberg, que participou da conferência.
Referindo-se a esta mesma notícia, o jornal francês La Vie recorda que, ao mesmo tempo que decorria a conferência na Alemanha, o Vaticano divulgou uma nota em que desmente um abrandamento da posição oficial acerca dos divorciados recasados.
Fonte Religionline